Segundo
rezam as más línguas, o Ministério Público terá encontrado
nos telemóveis do ex-espião Jorge Silva Carvalho mensagens trocadas com Adelino
Cunha, adjunto do gabinete de Miguel Relvas, nas quais combinaram falar através
de um telefone fixo, é referida uma ligação através dos telefones da
Presidência do Conselho de Ministros e concordam em encontrar-se para beberem
um café no Hotel Tivoli. Tudo às escondidas de Miguel Relvas, que já estava
fartinho de avisá-lo que não queria cafeínas governamentais misturadas com as
das secretas. Descoberta a marosca, Adelino Cunha, temendo que Miguel Relvas
lhe chegasse a roupa ao pêlo por andar a enganá-lo, apressou-se a pedir a
demissão. Pedido aceite. Adelino vai, Miguel fica. Assim se prova que misturar
cafeínas às escondidas é mais prejudicial ao consenso austeritário emergente com aroma de crescimento,
tão importante para projectar “lá fora” uma imagem de Portugal como modelo de
coesão capaz de recuperar a nossa credibilidade, do que propriamente
instrumentalizar as secretas para obter informações a utilizar depois para silenciar jornalistas. E
do que mentir na Assembleia da República.
- Actualização: segundo o Expresso, o Diário de Notícias e o i - Miguel Relvas encontrou-se três vezes com Carvalho nos últimos anos. Duas vezes em Março de 2010, sendo que na primeira vez terá também estado presente, o director da Unidade nacional de contra-terrorismo da Polícia Judiciária, Luís Neves. Alegadamente um dos nomes que Carvalho haveria de sugerir depois para um cargo de direcção nas secretas. No segundo encontro relatado, participaram também Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing, e José Braz da Silva, um empresário com ligações a Angola e Cabo Verde. O PÚBLICO noticia também na edição de hoje, a realização de um terceiro encontro, um jantar em Agosto do ano passado, na Quinta do Lago, no Algarve, já depois de Relvas ser ministro de Pedro Passos Coelho. É também revelada a troca de mensagens de telemóvel entre Relvas e Carvalho. Estando nove SMS em causa, o Expresso avança que num desses o agora ministro terá respondido que estava a ver o que podia “fazer” em relação a uma solicitação do ex-responsável de um dos serviços de informações portugueses.
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