"Colarinhos brancos" são mais bem tratados do que criminosos de rua.
O presidente do Observatório de Economia e Gestão de Fraude considera
que quem pratica uma fraude tem "maior probabilidade de ser bem tratado"
do que quem comete "um crime de rua", sendo "uma consequência de se
viver numa sociedade dirigida e organizada pelos ricos e para os ricos".
Segundo Carlos Pimenta, "grande parte da fraude é cometida por pessoas
de elevado estatuto social" (crimes de colarinho branco) e "as razões
para essa diferença de tratamento são imensas".
"O centro do poder está na riqueza e não nos votos, particularmente
quando temos um Estado-mercado, um Estado que se comporta como o mercado
e que se subordina a este", adiantou o especialista à agência Lusa.
O Observatório de Economia e Gestão de Fraude estima que, em 2010, a economia não registada rondou os 32.183 milhões de euros.
Carlos Pimenta acredita que há razões para a opinião pública considerar
que os autores das grandes fraudes saem impunes das mesmas.
"Em Portugal, a frequência com que uma 'elite' atravessa as 'portas
giratórias' entre o negócio e a política, a frequência com que a
hipótese de grandes fraudes - incluindo a corrupção - passam sem
qualquer investigação ou, pelo menos, sem qualquer consequência, é
particularmente grave", considerou.

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