Não há como escaparmos da tecnologia. Físicos e cientistas do mundo todo
apontam que o uso dessas ferramentas será cada vez mais intenso nos
próximos anos, e que muitas coisas que conhecemos podem deixar de
existir, entre elas jornais impressos, bibliotecas e livros. Com isso,
será que o acesso constante a esses recursos visionários - em especial à
internet - vai tornar os jovens desta geração mais burros ou mais
inteligentes?
De acordo com uma nova pesquisa, a resposta é: as
duas coisas. Segundo o LiveScience, o estudo, que incluiu 1.021
especialistas e críticos de tecnologia, constatou que a
hiperconectividade é uma boa mistura, e 50% dos entrevistados
concordaram que a internet é um local que estimula vários talentos. No
entanto, 42% acreditam que tamanha quantidade de dados pode deixar o
cérebro dependente da web e dos serviços para dispositivos móveis.
Péssimas previsões
Segundo
a Universidade Elon e o Pew Internet Project, que conduziram o
relatório, a divisão entre os especialistas tecnológicos que concordam e
discordam do avanço tecnológico é perto de 50/50%. Muitos dos que
responderam que a "geração Y da internet" tem vantagem mental hesitaram
em responder sobre o lado negro desse excesso de conectividade.
"Enquanto
eles disseram que o acesso às pessoas e à informação aumentou com a era
da internet móvel, também afirmaram que já percebem deficiências nos
jovens em habilitades como foco de atenção, paciência e análises mais
profundas. Alguns expressaram preocupações de que as 'modinhas' estão
levando a um futuro onde as pessoas serão consumidoras rasas de
informação. Muitos até mencionaram o livro '1984', de George Orwell",
declarou Janna Anderson, da Elon.
Já Paul Gardner-Stephen, da
Universidade de Flinders, acredita que os "poderes centralizados capazes
de controlar o acesso à internet conseguirão induzir as gerações
futuras. Será muito parecido com o '1984', onde o controle foi atingido
usando a linguagem para limitar e delimitar o pensamento, o que leva a
concluir que os regimes poderão usar o acesso à web para controlar o
pensamento".
"1984" descreve uma sociedade onde a informação é
completamente controlada, capaz de reprimir qualquer um que se opuser a
ela. A história narrada é a de Winston Smith, um homem com uma vida
aparentemente insignificante, que recebe a tarefa de perpetuar a
propaganda do regime através da falsificação de documentos públicos e da
literatura para que o governo sempre esteja correto no que faz. Smith
fica cada vez mais desiludido com sua existência miserável e assim
começa uma rebelião contra o sistema.
Otimismo online
Muitos
especialistas comentaram no estudo os talentos necessários para se
navegar na internet, e sugeriram que as pessoas que estão crescendo
conectadas são aquelas que mais vão se destacar.
"Não há dúvida
de que o cérebro está sendo religado em alguns pontos. As novas técnicas
e mecanismos serão muito úteis para as pessoas criativas", destacou
Danah Boyd, pesquisadora da Microsoft.
Por outro lado,
especialistas afirmam que o uso da web é como um "cérebro externo" onde
os fatos são armazenados, liberando espaço mental que vai além da
memorização. Para Paul Jones, um especialista em novas mídias da
Universidade da Carolina do Norte, a partir do momento que as pessoas
usarem o "lugar" da memorização no cérebro para fazer análises,
acontecerá o grande boom da sociedade.
Mesmo que existam algumas
diferenças de opinião entre os benefícios e os danos causados pela
internet, os pesquisadores concordam que certas habilidades e talentos
serão importantes para as gerações futuras. Entre elas estão as
capacidades de cooperação para resolver problemas, para pesquisas
efetivas por informação, para sintetizar informações de várias fontes,
para se concentrar, e para filtrar os dados que são úteis daqueles que
são descartáveis na web.
"Existe uma preocupação entre esses
especialistas de que as novas divisões sociais e econômicas vão emergir
entre aqueles que entendem as novas mídias. Eles acreditam que a
educação pública precisa se reinventar e ensinar essas habilidades",
finalizou o co-autor do estudo, Lee Rainie, diretor do Pew Internet
Project.

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